Doenças cardíacas podem estar relacionadas a má condição de saúde bucal

Pacientes que apresentam problemas dentários, enquanto estão internados nas Unidades de Terapia Intensiva, preocupam médicos e dentistas.

Alerta direto da cadeira do dentista. Você sabia que algumas doenças do coração podem estar intimamente relacionadas com a saúde da boca? Até uma simples inflamação na gengiva pode ser motivo de preocupação.

O Instituto do Coração (INCOR), por exemplo, já tem uma equipe de dentistas que acompanha os pacientes. Ela garante que uma infecção na boca não chegue a órgãos, como coração e os pulmões.

No Congresso, está em tramitação um projeto de lei que determina a presença obrigatória de dentistas em Unidades de Terapia Intensiva dos hospitais. Mas, por enquanto, ainda é difícil encontrar esse profissional até mesmo nos postos de saúde pública.

Antes de ir para a cirurgia programada, o paciente da Unidade de Doenças Coronárias Agudas do Instituto do Coração (INCOR) de São Paulo passa por uma avaliação rigorosa.

“Nós já encontramos pacientes com uma saúde bucal bem ruim. A gente tem que resolver aquele quadro de inflamação local, porque aquelas bactérias podem entrar e ficar circulando e fazer uma inflamação à distância”, alerta a cirurgiã-dentista do INCOR, Maria Cristina de Oliveira.

O Instituto do Coração tem uma equipe de dentistas, porque há evidências de que várias doenças surgem por causa da má condição de saúde bucal. Algumas infecções chegam até a prejudicar os pacientes com problemas cardíacos. Uma inflamação na gengiva, por exemplo, pode agravar casos de angina e infarto.

“O dentista, dentro de um hospital, é uma peca fundamental principalmente em um hospital de cardiologia. Existe, na realidade, uma comprovação clara entre determinadas doenças que existem nas válvulas do coração, por exemplo, e a saúde bucal”, explica o diretor da Unidade Clínica de Coronariopatias Agudas, José Carlos Nicolau.

Casos de pacientes que apresentam problemas dentários, enquanto estão internados nas Unidades de Terapia Intensiva, preocupam médicos e dentistas.

“O que a gente observa é que pacientes que ficam algum tempo dentro das Unidades de Terapia Intensiva, a partir do segundo dia, eles já começam a apresentar a boca contaminada por bactérias que produzem pneumonia”, aponta a especialista em periodontia Teresa Márcia de Morais.

Os especialistas ainda buscam um consenso sobre a melhor forma de garantir a higiene e evitar as infecções em pacientes internados na UTI. Mas garantem que um cuidado diário pode fazer diferença em um momento em que a saúde está mais frágil.

“Fazer tratamentos dentários de limpeza dental periódica implica em fazer uma boa escovação boa e uma boa limpeza bucal, várias vezes ao dia. Isso implica em manter a boca do indivíduo livre de germes”, afirma o diretor da Unidade Clínica de Coronariopatias Agudas, José Carlos Nicolau.

No Brasil, existem mais de 21 mil cirurgiões dentistas. Mas para atender nas Unidades de Terapia Intensiva é preciso um treinamento especial que leva em média dois anos.

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